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Quando eu preciso valorar uma tecnologia ou patente?

Dando continuidade ao artigo 5 APRENDIZADOS SOBRE VALORAÇÃO DE TECNOLOGIAS que publiquei na semana passada, leia agora nosso primeiro aprendizado sobre o tema!

Ainda existe uma grande controvérsia em empresas, instituições de pesquisa e de ensino sobre a real necessidade de se valorar uma tecnologia ou patente. O artigo “Avaliar x Valorar Novas Tecnologias: Desmistificando Conceitos” escrito por mim (Daniel Elói) e pelo Prof. Leonardo Santiago trata desse tema. No entanto, me sinto hoje mais maduro para responder a essa pergunta.

A primeira pergunta que deve ser feita é “Eu preciso de um número”? Ao analisar as principais aplicações de valoração que temos visto, fica claro que nem sempre precisamos valorar.

Um reflexão sobre as principais aplicações de valoração:

a) Apoio à Negociação:

No contexto de aquisição, venda ou licenciamento de um ativo (seja uma tecnologia, uma patente ou mesmo uma empresa de base tecnológica) invariavelmente a negociação será feita em torno de números (seja sobre valores financeiros, royalties, ou uma combinação entre eles).

Apesar de realmente existir a necessidade de valoração no contexto de negociação, é muito comum que as organizações coloquem a valoração como um pré-requisito para o processo de transferência de tecnologias ou patentes. Isso traz dois problemas:

(i) a organização coloca esforços no processo de valoração antes mesmo de mapear e prospectar potenciais interessados na patente/tecnologia;

(ii) a valoração depende de um contexto. Quando a organização valora desconhecendo o contexto de transferência (antes de mapear a organização parceira), o resultado da valoração não passa de um exercício teórico que certamente deverá ser revisado no contexto da negociação.

Não são raros os casos de organizações que nos procuram buscando o auxílio no processo de valoração sem que conheçam potenciais interessados em sua inovação. Quando isso ocorre, nossa recomendação às organizações tem sido que priorizem o processo de mapeamento e prospecção de parceiros e, só então, façam a valoração já considerando o contexto da transferência.

Uma frase que repito com frequência é “A tecnologia/patente não possui um valor de prateleira, mas sim um valor dentro de um contexto”. Esse contexto é a representação dos benefícios futuros esperados para aquele que vai explorar a tecnologia/patente (conceitualmente chamada de valoração econômica). Ou seja, uma valoração feita antes que se defina ou conheça o contexto, muito provavelmente subestimará ou superestimará o valor da tecnologia/patente. Isso tende a prejudicar e até inviabilizar um processo de negociação.

b) Contabilização de Ativos Intangíveis:

Quando falamos de contabilização, certamente precisamos de um valor para ser contabilizado. Ou seja, precisamos valorar. No entanto, as definições sobre “o que contabilizar” e “como contabilizar” são determinadas pelo Pronunciamento Técnico CPC 04 (R1) – Ativo Intangível, publicado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Este documento basicamente define o tratamento contábil dos ativos intangíveis (entre eles, ativos de propriedade intelectual), além das abordagens de valoração (no documento, chamada de “mensuração”).

Não é meu objetivo aqui fazer um detalhamento ou resumo da norma. No entanto, acho importante destacar que a norma recomenda, de forma geral, a contabilização dos ativos intangíveis (em especial, patentes desenvolvidas internamente) com base nos custos passados, e não na expectativa do benefício futuro (que seria o valor econômico). Por isso, tenho falado que a única aplicação da valoração baseada nos custos passados é para a Contabilização, já que ela não representa o potencial de geração de valor da tecnologia valorada.

Uma informação interessante é que pouquíssimas empresas no Brasil têm contabilizado suas patentes, principalmente pela dificuldade de se rastrear e levantar todos os custos de desenvolvimento da tecnologia patenteada.

c) Apoio à decisão de investimento em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento):

No artigo “Avaliar x Valorar Novas Tecnologias: Desmistificando Conceitos”, apontamos que duas aplicações da valoração seriam (i) análise de riscos de projetos de pesquisa e desenvolvimento e (ii) priorização de projetos de P&D. Sem dúvidas, a valoração pode ser utilizada nesse contexto. No entanto, não é obrigatória, porque essas análises e decisões podem ser realizadas utilizando outros critérios, além do valor econômico. Alguns dos critérios utilizados têm sido: aderência estratégica, necessidade de investimento, risco e prazo do projeto, entre outros. Não é nosso objetivo aqui fazer uma revisão da literatura sobre a análise de risco e a priorização de projetos, no entanto achamos importante essa consideração em relação ao nosso artigo original.

d) Apoio à gestão do portfólio de patentes:

Assim como nas decisões de P&D, a valoração pode ser utilizada no contexto da gestão estratégica do portfólio de patentes e outros ativos de propriedade intelectual. No entanto, também acreditamos que ela não seja obrigatória, porque essas análises e decisões podem ser realizadas utilizando outros critérios além do valor econômico. Uma organização pode desenvolver uma análise da geração de valor trazida pela tecnologia patenteada no contexto de uso interno (exploração interna) do invento. Caso o benefício gerado seja maior do que o custo de manutenção, pode-se recomendar a manutenção da patente. No entanto, tivemos experiências muito positivas com várias organizações que conseguiram revisar seu portfólio de forma ágil utilizando apenas critérios qualitativos (o que seria mais próximo do contexto de avaliação e não da valoração). Alguns exemplos de critérios foram sobre a utilização da tecnologia nas operações, a comparação em relação a tecnologias substitutas, o potencial de licenciamento, entre outros.

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Sobre o Autor

Daniel Eloi é sócio fundador da PRIS. Desde 2007 desenvolve pesquisas e lidera projetos e ministra cursos relacionados à valoração de tecnologias, apoio à gestão estratégia de Propriedade Intelectual, análise de investimento em projetos de grande porte e desenvolvimento de software. Graduado e mestre em Engenharia de Produção pela UFMG, aprimorou suas habilidades empreendedoras no Babson College e na Stanford University, nos EUA.



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