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Pesquisa de PI – parte 1: Introdução + perfil das empresas participantes

Em 2016 fizemos a nossa primeira pesquisa sobre as Práticas de Gestão Estratégica e Operacional de Propriedade Intelectual no Brasil, publicada em 2017. Incentivados pelos feedbacks positivos recebidos em relação a primeira pesquisa, fizemos algumas melhorias na nossa metodologia para produzir uma edição ainda mais relevante na pesquisa de 2017, publicada em 2018.

O contexto de Propriedade Intelectual no Brasil em 2017 foi marcado pela alta atenção ao tema pelas empresas e o amadurecimento nos processos de gestão do portfólio. Esse amadurecimento tornou mais criteriosas decisões de patenteamento e manutenção dos ativos, motivado especialmente pela necessidade de controle de custos.

Essas mudanças refletem também no posicionamento dos prestadores de serviço de PI (normalmente chamados de “escritórios”), que têm que se adequar aos novos interesses das empresas, que deixam de ser tão operacionais e passam para uma visão mais estratégica. Motivados por isso, e pelo alto número de respostas desses prestadores de serviço na nossa última pesquisa, adicionamos ao questionário perguntas voltadas exclusivamente para esses respondentes.

Com essa pesquisa então, temos dois objetivos principais:

  • Levantar práticas estratégicas e operacionais utilizadas pelas empresas para melhorar esse processo de decisório e, consequentemente, o controle do orçamento;

 

  • Entender como os prestadores de serviço estão atuando e a sua adaptação às mudanças de demanda serviços de Propriedade Intelectual.

Assim como na última edição, ressaltamos que a pesquisa reflete apenas o ponto de vista dos participantes, podendo não representar fielmente o espectro de todas as instituições envolvidas com Propriedade Intelectual no Brasil.

Visão geral sobre PI

Não temos com essa pesquisa o objetivo de abordar conceitos mais básicos sobre a legislação e processos administrativos de Propriedade Intelectual. Para melhor compreensão do tema, sugerimos que iniciantes no tema leiam alguns materiais que fazem essa revisão conceitual sobre PI.

Materiais sugeridos:

World Intellectual Property Organization

http://www.wipo.int/edocs/pubdocs/en/intproperty/489/wipo_pub_489.pdf

European Patent Office:

http://application.epo.org/wbt/pi-tour/

Instituto Nacional de Propriedade Industrial

http://www.inpi.gov.br/sobre/arquivos/guia_empresario_iel-senai-e-inpi.pdf

http://www.inpi.gov.br/sobre/arquivos/guia_docente_iel-senai-e-inpi.pdf

Perfil das instituições participantes

A pesquisa foi respondida por 32 pessoas, sendo que 2 respostas foram descartadas por terem sido originadas em uma mesma instituição. Desses 30 respondentes válidos, 21 foram instituições ou autônomos detentores de ativos de PI e 9 de instituições que fazem ou apoiam a gestão de PI de terceiros.

Para as demais análises, trataremos em um primeiro capítulo as respostas de instituições detentoras de ativos de PI (“Empresa ou instituição que possui ativos próprios de Propriedade Intelectual” e “Possuo ativos de Propriedade Intelectual, mas sou autônomo”) e em um segundo capítulo as respostas de instituições que têm como foco a gerir ou apoiar a gestão de PI de terceiros.

Instituições detentoras de ativos de PI

Nesse capítulo faremos análises referentes às questões direcionadas para empresas detentoras de ativos de PI. Tivemos um total de 23 respostas nesse grupo, com 2 respostas repetidas excluídas e 21 respostas válidas.

  • Caracterizando o portfólio das instituições participantes

Para entender melhor o perfil das empresas participantes, levantamos informações sobre os tipos de ativos protegidos e o tamanho do portfólio de cada um deles.

Quanto aos tipos de ativo de PI, tivemos instituições detentoras de todos os tipos que levantamos, o que torna a pesquisa mais rica e completa.

Marcas são o tipo de ativos mais comum, estando presentes no portfólio de 95% dos participantes e seguindo a tendência da edição passada da pesquisa.

Em seguida, temos as patentes de invenção (71%) e os modelos de utilidade (62%), demostrando uma alta atividade inventiva nas organizações participantes.

Em seguida, procuramos entender o tamanho do portfólio de cada um desses ativos. Essa informação é relevante pois a dimensão do portfólio pode ter um grande impacto na forma que a PI é vista dentro da empresa, seja pela perspectiva de custo ou de geração de valor.

Para patentes (PI e MU), tivemos uma grande variação nas respostas, com a maioria dos participantes (62%) possuindo portfólios de até 50 patentes. Porém, tivemos participantes com portfólios bem expressivos, com mais de 1000 patentes.

Seguindo a tendência das patentes, também tivemos uma predominância de portfólios de marcas menores, com 66% dos respondentes possuindo portfólios de até 50 marcas. Da mesma forma, também tivermos uma diversidade grande dos portfólios participantes, com alguns deles possuindo mais de 1000 marcas.

 

Para domínios e registros de software, os portfólios menores são ainda mais predominantes. Para domínios, 85% das empresas possuem até 50 ativos e para registros de software, esse número chega a 95%.

Para os registros de software, uma das razões para o baixo número de registros é a pequena proteção oferecida. O registro protege apenas o código fonte e não a ideia por trás do software. Por outro lado, o INPI simplificou consideravelmente o processo de registro em 2017, diminuindo o custo e burocracia do processo, o que pode levar ao crescimento dos depósitos em um futuro próximo.

Quantidade de instituições que depositam patentes por país

Para completar a caracterização do portfólio dos participantes, perguntamos sobre os países onde as instituições têm ativos de PI depositados. A abrangência geográfica nos ajuda a entender melhor quais os países são mais críticos para obtenção de proteção e o valor dado a proteção internacional.

Como esperado, a maior parte das instituições (86%) fazem depósitos no Brasil. Em seguida estão os Estados Unidos (52%), Europa (38%) e China (38%).

Também é interessante notar que a maioria das instituições (57%) tem ativos depositados em pelo menos dois países. Ou seja, apesar dos portfólios menores serem a maioria, vemos uma grande preocupação com a internacionalização da proteção. Falaremos mais sobre internacionalização na sessão “Práticas de gestão operacional adotadas”, nosso segundo capítulo.

 

 

 

Sobre o Autor

Júlia Couto é analista de negócios da Pris. Mestre em Engenharia de Produção pela UFMG e especialista em Propriedade Intelectual pela LUISS Business School, trabalha com gestão estratégica e valoração de ativos de propriedade intelectual desde 2014. Vem participando da modelagem de negócio do Pris IP Suite, conjunto de ferramentas de gestão estratégica-operacional de ativos de PI desenvolvido pela Pris com o apoio da Fapemig.



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