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O Blockchain é o futuro da Propriedade Intelectual?

Apesar de ainda estar muito associado ao Bitcoin e criptomoedas, o blockchain é uma tecnologia que vai muito além de transações financeiras, tendo aplicações em diversos mercados. A MindArk, empresa sueca de software, quer usar a tecnologia para revolucionar o mercado de Propriedade Intelectual, através da troca de ativos de PI por meio do blockchain.

O QUE É O BLOCKCHAIN?

O blockchain é uma espécie de ‘livro contábil’ que pode ser usado para registrar e validar transações de informações e ativos. Ele armazena cronologicamente todas as transações, tornando-as imutáveis. Além disso, esse ‘livro’ é disponibilizado de forma online e pode ser auditado por qualquer um, com um alto grau de segurança.

A possibilidade de registros (transações) é gigante: dinheiro, carros, imóveis, músicas, marcas, patentes… Ou seja, é uma tecnologia promissora para o mercado de Propriedade Intelectual.

COMO ELE SE APLICA AO MERCADO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL?

O blockchain é uma tecnologia extremamente segura e já validada em alguns mercados. O objetivo da MindArk é conectar proprietários de ativos de PI com pessoas e empresas que têm interesse em utilizar e licenciar tais ativos. A empresa sueca criará um repositório de ativos digitais que permitirá que os proprietários licenciem seus ativos de forma online e segura, monetizando suas marcas, patentes, desenhos industriais, etc.

Para que o licenciamento ocorra de forma segura e controlada, a MindArk utilizará o Blockchain, também trazendo mais velocidade e transparência a todo o processo, além da proteção contra fraudes.

Diversas empresas estão apostando nesse mercado. A Binded, por exemplo, utiliza o Blockchain para o registro de direitos autorais nos Estados Unidos. Assim como no Brasil, a legislação americana garante que o autor de uma obra tenha direitos sobre ela, mesmo que não faça o registro formal. Contudo, ter o registro é extremamente recomendado, pois é uma prova de titularidade e pode ser usado em casos de disputas. A Binded fornece um meio de registrar a titularidade de uma obra por meio do Blockchain. Basta o autor fazer o upload do documento no site da empresa e ela criará uma chave permanente na rede, contendo informações do titular e data. Esses dados também poderão ser usados em casos de disputas e como prioridade para o registro oficial, no órgão responsável.

COMO FUNCIONARÁ A TROCA DE ATIVOS?

Imagine que uma empresa da França possua a patente de uma tecnologia, porém ela não faz uso da mesma, o que gera muitos custos ‘inúteis’ para ela manter o registro ativo. Do outro lado do mundo, uma empresa da Austrália percebeu uma oportunidade de mercado, porém precisará utilizar a tecnologia patenteada pela empresa francesa. Para o licenciamento ‘padrão’ de tal tecnologia, as empresas gastarão muito tempo e dinheiro até o contrato seja finalizado e patente realmente seja utilizada.

A proposta da MindArk é usar o blockchain para acelerar e facilitar esse processo. O contrato entre as empresas será assinado digitalmente e armazenado na rede, com toda a segurança provida pela tecnologia. Para que tudo funcione, a empresa irá utilizar o DeepToken, uma moeda de troca dentro do blockchain. Assim, o pagamento de royalties pelo licenciamento da patente será feito por meio de tal moeda, protegendo os dois lados de fraudes.

A REVOLUÇÃO NO MERCADO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL

O mercado de PI é avaliado em US$ 180 bilhões em todo o mundo. Em termos de patentes, são mais de 2,1 milhões de pedidos protocolados anualmente, porém apenas 2% delas se tornam rentáveis a seus titulares.

Manter uma patente registrada é uma tarefa cara. As taxas e anuidades pesam no caixa de várias empresas, especialmente quando o portfólio de ativos é grande. Com isso, são comuns os casos em que organizações simplesmente abandonam suas patentes para diminuir os custos de manutenção.

A tecnologia desenvolvida pela MindArk será uma nova opção de monetizar patentes e outros ativos que não estão em uso, criando uma nova fonte de receita para empresas que investem em inovação e fomentando esse mercado.

A MindArk pretende lançar sua plataforma em 2019 e ter 150 mil ativos disponíveis para comercialização ainda no ano. É importante ficar de olho nesse lançamento e preparar sua empresa para uma possível disruptura no mercado de Propriedade Intelectual.

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Sobre o Autor

Júlia Couto é analista de negócios da Pris. Mestre em engenharia de Produção pela UFMG, trabalha com gestão estratégica e valoração de ativos de propriedade intelectual desde 2014. Vem participando da modelagem de negócio do Pris IP Suite, conjunto de ferramentas de gestão estratégica-operacional de ativos de PI desenvolvido pela Pris com o apoio da Fapemig.



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