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Como devo escolher o método de valoração?

No artigo “Métodos de Valoração de Tecnologias” abordamos quatro métodos de valoração (baseado nos custos passados, método dos múltiplos de mercado, fluxo de caixa descontado e opções reais), apontando os benefícios e limitações de cada um deles. Concluímos o artigo defendendo os benefícios de se utilizar a metodologia de Opções Reais.

Desde então, tenho trabalhado em diversos projetos de valoração, o que me fez rever este posicionamento. Um primeiro ponto observado é que em algumas ocasiões o método de Opções Reais, devido à sua complexidade, se mostrava inviável tecnicamente para a equipe disponível para a valoração ou mesmo muito caro em relação à expectativa de benefício com a transferência da tecnologia. Isso mostrou que essa abordagem também tinha limitações e que não poderia ser utilizada em todos os casos.

Com essa limitação, o posicionamento que tenho apresentado é de que existem diversos métodos de valoração de tecnologias e patentes, sendo que todos eles têm suas vantagens e desvantagens, e nenhum é apropriado para todos os casos.

Dito isso, e considerando que as abordagens tradicionais não são diretamente aplicáveis para contextos de licenciamento baseado em royalties sobre a receita, decidimos criar uma metodologia para guiar a seleção da abordagem mais propícia para cada contexto.

Por sua extensão, vamos dedicar um novo artigo especificamente para este tema. No entanto, adiantarei aqui a discussão dos principais fatores que direcionam a escolha da abordagem.

O primeiro critério diz respeito à forma de transferência, se essa será baseada no licenciamento ou na cessão. A resposta desse critério indicará se devemos seguir abordagens que buscam o cálculo financeiro da tecnologia ou uma taxa de royalties a ser cobrada.

O segundo aspecto diz respeito à disponibilidade de informações. Existem métodos, por exemplo, que são baseados em informações mercadológicas e que, conseguintemente, só podem ser aplicados caso essas informações estejam disponíveis. Por outro lado, há abordagens que dependem de informações de ganhos e investimentos de quem vai explorar a tecnologia. Muitas vezes essas informações não estão disponíveis para o outro lado da negociação. Assim, mesmo que se façam estimativas, é bem possível que abordagens como a de Fluxo de Caixa Descontado, Lucro Excedente ou Opções Reais, tragam valores distantes da realidade.

O terceiro aspecto está relacionado à maturidade da tecnologia. Ou seja, ainda existem riscos tecnológicos? Existem riscos mercadológicos? O Impacto desses riscos é severo nos ganhos esperados do projeto? Em caso afirmativo, é possível que abordagens que consideram mais diretamente o risco e a flexibilidade gerencial sejam mais adequadas.

Finalmente, há a questão da importância do negócio para quem está valorando. Essa importância pode ser financeira ou estratégica. Obviamente, quanto maior a importância da negociação, mais interessantes se tornam as abordagens de valoração robustas. Por outro lado, abordagens ágeis, como a Regra dos 25%, podem ser muito úteis em negociações com pequena importância estratégica ou financeira.

Uma outra recomendação importante na escolha do método de valoração é que mais de uma abordagem pode ser utilizada simultaneamente, especialmente para funcionar como uma validação ou segunda opinião. Se os valores de duas abordagens viáveis estiverem muito discrepantes é necessário que exista uma explicação para essa diferença (não necessariamente existe um erro na valoração, mas a diferença deve ser justificável).

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Sobre o Autor

Daniel Eloi é sócio fundador da PRIS. Desde 2007 desenvolve pesquisas e lidera projetos e ministra cursos relacionados à valoração de tecnologias, apoio à gestão estratégia de Propriedade Intelectual, análise de investimento em projetos de grande porte e desenvolvimento de software. Graduado e mestre em Engenharia de Produção pela UFMG, aprimorou suas habilidades empreendedoras no Babson College e na Stanford University, nos EUA.



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