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8 sugestões para a redução de custos com portfólio de marcas e patentes durante o período de crise – Parte 1

Dicas de PI em tempos de crise 1

A atual crise sanitária e econômica, desencadeada pelo novo Coronavírus, nos traz uma série de preocupações. Já são muitos os impactos econômicos, em especial nos setores mais diretamente afetados, como o turismo e o varejo. Desta forma, crises econômicas normalmente trazem uma forte pressão por redução de custos. E esta crise em especial, que nos forçou também recolhimento social, nos traz uma oportunidade de fazer reflexões sobre como reduzir custos. Isso, inclusive, já tem sido notado em algumas das empresas com as quais a Pris trabalha e auxilia na gestão do portfólio de marcas e patentes

Já faz alguns anos que temos trazido reflexões sobre a gestão estratégica de um portfólio de marcas e patentes, trazendo benchmarks sobre melhores práticas, reflexões sobre a maturidade das empresas e instituições públicas no tema, informações sobre custos de manutenção de um portfólio, e também formas de se tentar estimar o valor destes ativos

Neste artigo (que será publicado em 3 partes), listo 8 sugestões imediatas que sua empresa pode seguir para buscar reduzir os custos de manutenção do portfólio no curto, médio e longo prazos.

1. Faça um levantamento dos seus custos de manutenção e de novos registros em seu portfólio de marcas e patentes

Poucas empresas têm um controle bem estruturado dos custos de seu portfólio, seja para fins orçamentários (preditivos), seja também para se fazer uma análise do histórico. Até para que se tenha uma ideia sobre o potencial de redução, um ponto de partida é entender o que é gasto de forma discriminada. Algumas visões importantes são:

  • Gastos por processo
  • Gastos por família (ou seja, conjunto de processos referentes a um mesmo “ativo”, porém depositados em diferentes países)
  • Gastos por produtos/serviços (considerando todos os ativos relacionados a determinado produto, ou serviço, qual o custo anual de manutenção da PI)
  • Gastos por área tecnológica/unidade (relacionado a origem da tecnologia) 
  • Gastos com taxas oficiais (quanto eu gasto por país, considerando pagamentos feitos em diferentes moedas, com taxas para os escritórios nacionais de PI)
  • Honorários de prestadores de serviço (quanto eu gasto com meus prestadores de serviço, por país e por natureza de atividade)

Essas informações te darão um norte inicial para planejar possíveis fontes de redução de custos do portfólio de marcas e patentes.

2. Estabeleça um processo claro e replicável para a revisão do portfólio

O próximo passo é entender o papel de cada ativo de propriedade intelectual no seu portfólio. Apesar de muitas empresas, e até agências governamentais, considerarem o número de ativos de propriedade intelectual (em especial, o número de patentes) um indicador relevante de inovação, quando os ativos não trazem um real benefício econômico, eles serão apenas uma fonte de custos.

Há várias formas de se estruturar um processo de revisão de portfólio. Seguindo a experiência que já tivemos com diversos clientes, algumas boas práticas são:

  • Envolver diferentes perspectivas no processo de revisão (por exemplo, visão técnica, visão mercadológica, visão com embasamento nas regras de propriedade intelectual)
  • Trazer reflexões sobre o real benefício econômico de se manter a proteção. Na verdade, não basta avaliar se aquele ativo está sendo usado, é necessário avaliar se a exclusividade garantida pela proteção efetivamente traz algum benefício econômico para a Companhia
  • Reduzir ao máximo o aspecto qualitativo da revisão. Não foram raras as situações em que vimos tomadores de decisão dizendo: “Nossa, essa patente é do Inventor Y!? Ah, então temos que manter. Ele é um ótimo pesquisador!”. Ou também: “isso é realmente inovador! Precisamos manter essa tecnologia!”. Devemos sempre lembrar que o processo de revisão do portfólio de ativos de propriedade intelectual não diz respeito a avaliar melhores ou piores tecnologias ou ativos de PI, muito menos deve ser visto como uma ferramenta de reconhecimento de inventores. Aqui deveríamos estar preocupados com a proteção em si, com os direitos proporcionados por registrar o ativo de PI. Ou seja, devemos responder de forma objetiva: “qual é a justificativa estratégica-econômica para termos todos os custos inerentes ao registro deste processo ou família de ativos?”
  • Incorpore a reflexão sobre geografias no seu processo de revisão. Pode ser que, por mais que um ativo ainda seja relevante em alguns países, ele já não traga benefícios econômicos em outros.
  • Transforme seu processo de revisão em um padrão que possa ser replicado periodicamente, inclusive podendo ser aplicado só para uma parte do Portfólio.

3. Estabeleça critérios claros para suportar a decisão de proteção de seus ativos

O item 3 é muito similar ao item 2 no que diz respeito às boas práticas. Inclusive os critérios de decisão podem ser similares em muitos aspectos. No entanto, há uma diferença fundamental. No caso de ativos que ainda não foram protegidos, também é importante definir:

  • Se a proteção formal é realmente a melhor estratégia – isso porque não são raros os casos em que empresas fazem proteções com o objetivo específico de garantir o direito de utilizar aquele ativo sem infringir nada de terceiros (buscando liberdade de operação). Mas não há a preocupação com a exclusividade. Nesse caso, há outras estratégias, como a publicação ou o depósito em uma geografia sem o pagamento de taxas de manutenção posteriores. Ambas alternativas cumprem o papel de garantir liberdade de operação, mas de forma bem mais mais barata
  • Se este é o momento mais adequado para se proteger – ou seja, pode ser que seja viável, ou até mais interessante, postergar o depósito até que novas informações de mercado e sobre o contexto tecnológico sejam obtidas. Neste período, no caso de novas tecnologias, pode-se considerar momentaneamente o ativo como um segredo industrial e/ou know how proprietário;

Sugestão adicional: como estes critérios têm muita similaridade com os critérios do item 2, sugerimos que sejam feitos utilizando abordagens e ferramentas similares, se possível.

Alerta adicional: limitar novos depósitos por conta de restrições financeiras pode ser um tiro no pé, e acabar atingindo o negócio negativamente, inclusive em sua capacidade de inovar. É melhor ter um processo criterioso sobre o que proteger e o que manter, do que simplesmente limitar o orçamento de novos depósitos.

Confira mais dicas

Não deixe de conferir a Parte 2 e Parte 3 de nosso texto! Ainda tenho muitas dicas e ideias para reduzir os custos relativos ao portfólio de marcas e patentes em períodos de crise.

Bibliografia

Baldus e Heckmann. Lean IP-Management—Savings Costs for IP Management Based on a Paradigm Change in Assessing Inventions.

Gordon. Controlling Costs of a Patent Portfolio: The Little Things Do Matter.

Jaiya e Kalange. Managing Patent Costs: An Overview.

Jaiya e Kalange. IP and Business: Managing Patent Costs.

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Sobre o Autor

Daniel Eloi é sócio fundador da PRIS. Desde 2007 desenvolve pesquisas e lidera projetos e ministra cursos relacionados à valoração de tecnologias, apoio à gestão estratégia de Propriedade Intelectual, análise de investimento em projetos de grande porte e desenvolvimento de software. Graduado e mestre em Engenharia de Produção pela UFMG, aprimorou suas habilidades empreendedoras no Babson College e na Stanford University, nos EUA.



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